Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Boas férias grandes para todos!

Virginia Mori


É mais fácil e alegre e agradável despedir-se com música! Chegou o final deste ano letivo 2016-17 e nem tivemos tempo de nos despedir!

Fica aqui a despedida, meus caros alunos. Boas férias grandes para todos e tentem arranjar momentos para a leitura, esses bons momentos. Aproveitem o tempo, que foge mesmo...

A música tem 10 anos (já passaram dez anos, nem posso aceditar!😃), mas as boas canções estão tão vivas como esta dos Tribalistas (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown): Já sei namorar. Vamos lá cantar com eles!






quinta-feira, 15 de junho de 2017

Saramago e a criança que foi



Quero é recuperar, saber, reinventar a criança que eu fui. Pode parecer uma coisa um pouco tonta: um senhor nesta idade estar a pensar na criança que foi. Mas eu acho que o pai da pessoa que eu sou é essa criança que eu fui. Há o pai biológico, e a mãe biológica, mas eu diria que o pai espiritual do homem que sou é a criança que fui.

(Público, Lisboa, 14 de Outubro de 1998)






terça-feira, 13 de junho de 2017

Para ser grande, sê inteiro: nada (Pessoa / Reis)




Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

14-2-1933

Ricardo Reis , heterónimo de Fernando Pessoa




Pequeno vídeo de um excerto do poema "Para ser grande" de Ricardo Reis (Fernando Pessoa) animado com recurso à técnica Stop Motion . Projecto desenvolvido no âmbito de uma UC da Pós Graduação em Tecnologias da Comunicação e Inovação Empresarial (ISCAP 2012).




segunda-feira, 12 de junho de 2017

Uma casa de Eduardo Souto Moura no Porto



Eduardo Souto de Moura (Porto, 1952) é um arquitecto português.

(...) É um dos expoentes máximos da chamada Escola do Porto,vencedor do Prémio Pritzker em 2011. (...)


(Wikipédia)



quinta-feira, 8 de junho de 2017

O Dia de Portugal deste ano celebrado no Porto e no Brasil

O Presidente da República e o Primeiro Ministro portugueses
em Paris no passado 10 de Junho (Foto: Paulo Novais/Lusa)




Governo quer celebrar 10 de junho de 2017 no Porto e no Brasil

Dando continuidade à tradição inaugurada em 2016, com Paris, Executivo estará a preparar-se para levar 10 de junho ao Rio de Janeiro e São Paulo

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas vai celebrar-se no Porto, Rio de Janeiro e São Paulo em 2017. A notícia é avançada este sábado pelo jornal Público, que acrescenta que a festa vai beneficiar da diferença horária para começar em Portugal e terminar no Brasil.

Tal como aconteceu este ano, em Paris, o primeiro-ministro vai acompanhar o Presidente da República nas celebrações. Em 2016, o 10 de junho assinalou-se pela primeira vez fora do país, por iniciativa de Marcelo Rebelo de Sousa (...)

Notícia completa no Diário de Notícias (07-06-2017)


Pela nossa parte, acrescentamos que já em 2013, o Dia de Portugal foi celebrado na Extremadura pela primeira vez, como se pode ler aqui:

"Extremadura celebrará por primera vez el Día de Portugal"

(7 Días Extremadura, 03 de junio de 2013)




quarta-feira, 7 de junho de 2017

"Extremadura celebrará el Día de Portugal con actos culturales en muchas localidades"





Extremadura celebrará el Día de Portugal con actos culturales en muchas localidades.

Extremadura celebrará el próximo sábado 10 el Día de Portugal, de Camões y de las Comunidades Portuguesas con el desarrollo en varias localidades de numerosas actividades relacionadas con la música, el arte, la literatura, el cine, la gastronomía y la artesanía lusos.

Son actos que han sido coordinados por su Dirección General de Acción Exterior.

(...)

La noticia completa en eldiario.es (6-6-2019)


Toda la programación del Día de Portugal en Extremadura puede consultarse en la web http://www.euro-ace.eu/.




"É hora de arraial: estas são as Festas de Lisboa"



Como esta notícia foi publicada a 23 de maio, será preciso dizer que as Festas de Lisboa arrancaram a 1 de junho...


É hora de arraial: estas são as Festas de Lisboa

A 1 de junho arrancam as Festas de Lisboa. O programa desta ano inclui muitas iniciativas que prometem encher a cidade de música. Fique a conhecer os arraiais que se vão espalhar pela capital.

No mês de junho, a cidade de Lisboa transforma-se numa grande festa para celebrar o santo favorito de todos os lisboetas — Santo António. Surge um arraial em cada esquina e o cheiro a sardinha assada invade as ruas. As marchas desfilam pela Avenida da Liberdade, a música entra pelas casas e há um manjerico em cada varanda. Este ano não será diferente e não faltarão iniciativas e eventos para manter os lisboetas entretidos em junho.

Lisboa é, em 2017, a Capital Ibero-americana da Cultura e, por essa razão, este ano o desafio passou por procurar “potenciar cruzamentos e descobertas mútuas, cujos efeitos sejam visíveis para lá do período delimitado no calendário”, explicou a EGEAC, organizadora das Festas de Lisboa no programa oficial. “Atentos à diversidade do universo latino-americano e das diásporas que residem em Lisboa”, a programação, “multidisciplinar e democrática”, procurou por isso fundir diferentes sons e realidades, sem nunca esquecer a verdadeira identidade das Festas de Lisboa.

(...)

A notícia completa no Observador (23-05-2017)





sexta-feira, 2 de junho de 2017

O que dizem os abraços (José Luís Peixoto)



Juntar as pontas dos ombros e dar algumas palmadinhas nas costas não é um abraço. Escrever "abraço" no fim de um e-mail também não é um abraço. Indiferente ao desenvolvimento social e tecnológico, um abraço continua a ser duas pessoas que se juntam e se apertam uma de encontro à outra.

Esses rapazes que aparecem com cartazes a oferecerem abraços nos festivais de verão têm graça e talvez sejam bem-intencionados, mas fazem publicidade enganosa. Não são os abraços que provocam as ligações, são as ligações que provocam os abraços. Um abraço não é apenas duas pessoas que se juntam e se apertam uma de encontro à outra.

Um abraço tem muita importância.

Quando eu era uma criança, teria talvez uns nove ou dez anos, o meu pai deu-me um abraço na cozinha da nossa casa. Era de madrugada porque essa era a hora em que, naquele tempo, se saía da minha terra quando se ia para Lisboa. O meu pai tinha uma operação marcada no hospital, estava vestido com as roupas novas e tinha medo. Enquanto me abraçava, o meu pai chorou porque, durante um momento, acreditou que podia nunca mais me ver. Os braços do meu pai passavam-me pelos ombros, a minha cabeça assentava-lhe na barriga, sobre o pullover. A lâmpada que tínhamos acesa por cima da cabeça espalhava uma luz que amarelecia tudo o que tocava: a mesa onde jantávamos todos os dias, o ar que ali respirámos em tantas horas anteriores àquela, em tantas horas ignorantes daquela. O meu pai usava um aftershave muito enjoativo, barato, que alguém lhe tinha oferecido no Natal. Agora mesmo, consigo ainda sentir esse cheiro com nitidez absoluta.

A operação correu bem. Depois do susto, depois da convalescença, o meu pai voltou para casa com uma cicatriz grossa e roxa na barriga, ficava à vista quando a camisa lhe saía para fora das calças ou na praia, apesar de usar os calções exageradamente puxados para cima. Depois disso, tivemos direito a nove anos em que não voltámos a pensar em despedidas.s

Durante muito tempo procurei em toda a minha memória: as lembranças de quando regressou da operação ou, depois, quando tínhamos a mesma altura ou, mesmo depois, quando ficou doente pela última vez. Mas abandonei as buscas, não consigo recordar outra ocasião em que nos tenhamos voltado a abraçar. Essa madrugada na cozinha, a luz amarela, o aftershave, foi a única vez em que nos abraçámos na vida.

Não afirmo com leveza que um abraço tem muita importância. Há quinze anos que escrevo livros apenas sobre esse abraço.


José Luís Peixoto, in Notícias Magazine, 22 de novembro de 2015



quinta-feira, 1 de junho de 2017

O exame (Franz Kafka)

Um joven Franz Kafka


O Exame

Sou um criado, mas não há trabalho para mim. Sou medroso e não me ponho em evidência; nem sequer me coloco em fila com os outros, mas isto é apenas uma das causas de minha falta de ocupação; também é possível que minha falta de ocupação nada tenha a ver com isso; o mais importante é, em todo caso, que não sou chamado a prestar serviço; outros foram chamados e não fizeram melhor trabalho do que eu; e talvez nem mesmo tenham tido alguma vez o desejo de serem chamados, enquanto que eu o senti, às vezes, muito intensamente.

Assim permaneço, pois, no catre, no quarto de criados, o olhar fixo nas vigas do teto, durmo, desperto e, em seguida, torno a adormecer. Às vezes cruzo até a taverna onde servem cerveja azeda; algumas vezes por desfastio emborquei um copo, mas depois volto a beber. Gosto de sentar-me ali porque, atrás da pequena janela fechada e sem que ninguém me descubra, posso olhar as janelas de nossa casa. Não se vê grande coisa; sobre a rua, dão, segundo creio, apenas as janelas dos corredores, e além do mais, não daqueles que conduzem aos aposentos dos senhores; é possível também que eu me engane; alguém o sustentou certa vez, sem que eu lho perguntasse, e a impressão que se colhe, ao olhar para a fachada, assim o confirma. Apenas de vez em quando são abertas as janelas, e, quando isso acontece, é um criado que as abre, o qual, então, se inclina também sobre o parapeito para olhar para baixo um instantinho. São, pois, corredores onde não se pode ser surpreendido. Além do mais não conheço esses criados; os que são ocupados permanentemente na parte de cima, dormem em outro lugar; não no meu quarto.

Uma vez, ao chegar à hospedaria, um hóspede ocupava já o meu posto de observação; não me atrevi a olhar diretamente para onde ele estava a olhar e quis voltar-me sair pela porta, em seguida. Mas o hóspede chamou-me e, assim, então, percebi que era também um criado, que eu já tinha visto em qualquer parte, embora nunca tenha falado com ele.

- Por que queres fugir? Senta-te aqui e bebe. Eu pago.

Sentei-me, pois. Perguntou-me algo, mas não pude responder-lhe; não compreendia sequer as perguntas. Pelo menos eu disse:

- Talvez agora te aborreça o fato de me teres convidado. Vou-me, pois.

E quis erguer-me. Mas ele estendeu a mão por cima da mesa e manteve-me no meu lugar.

- Fica aí, disse. Isto era apenas um exame. Aquele que não responder às perguntas está aprovado no exame.

Franz Kafka



Franz Kafka (1883 - 1924)2 foi um dos maiores escritores de ficção do século XX. Kafka era de origem judaica, nasceu em Praga, Áustria-Hungria (atual República Checa), e escrevia em língua alemã. O conjunto de seus textos — na maioria incompletos e publicados postumamente —  situa-se entre os mais influentes da literatura ocidental





A camisa do homem feliz



Antes de começar a ler esta história, de que há diferentes versões, devem saber que a camisa de que aqui se fala era diferente da usada hoje em dia. Era uma peça de roupa interior.


A camisa do homem feliz

Certo rei, embora rico e poderoso, sentia-se muito infeliz. Como os melhores médicos do tempo não descobriram a razão, mandou chamar à sua presença o feiticeiro da corte e perguntou-lhe qual a maneira de pôr fim à sua desdita.

E como a situação era assaz complexa, o feiticeiro reuniu-se com colegas do mesmo ofício e fizeram


sacrifícios aos deuses bárbaros, em que acreditavam. Depois de muito meditarem, disseram ao Monarca:

― Senhor, se quereis ser feliz, deixai o reino e ide por esse Mundo, em busca de um homem verdadeiramente feliz que aceite ceder-vos a própria camisa. Só, então, Vossa Majestade deixará de se sentir infeliz.

E o rei partiu. Correu as sete partidas do Mundo, entrou em palácios reais e em choupanas humildes. Por toda a parte, ouvia queixumes, via correr lágrimas e sentia a presença inexorável da desgraça.

Regressava já, mais triste e desanimado, quando, num campo vizinho das fronteiras do seu reino, ouviu uma voz cantando alegremente.

Correu entusiasmado e deparou-se-lhe um pobre camponês que ceifava o centeio que havia de ser o pão da sua casa.

― Estás contente, bom homem?

― Pois não hei-de estar, Senhor, se tenho bons braços para trabalhar a terra que me sustenta e aos meus?!

― És, então, completamente feliz?

― Completamente feliz, meu Senhor.

― Pois poderás conhecer ainda maior felicidade, se me deres a tua camisa em troca de dinheiro e de muitas terras maiores e mais férteis do que esta, que te dá pouco centeio.

O campónio deitou para trás o barrete que trazia na cabeça, limpou o suor que lhe encharcava a testa e, após longa gargalhada, respondeu:

― É impossível o que me pedes, Senhor. Eu nunca tive camisa.