Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Sérgio Godinho e "O primeiro dia"



O que dizer do grande Sérgio Godinho?


O PRIMEIRO DIA

A princípio é simples, anda-se sozinho,
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burburinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

E é então que amigos nos oferecem leito,
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se e come-se se alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

Depois vêm cansaços e o corpo frequeja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja,
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa,
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!


A versão do álbum Pano-Cru



Encosta-te a mim (Jorge Palma)



Um clássico português, Jorge Palma.


ENCOSTA-TE A MIM

Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes, entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.







quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Os demonstrativos (variaveis e invariáveis)



Estão a ver com que demonstrativos variáveis devem ter mais atenção...?

Ah, e os invariáveis também podem ser usados com os advérbios de lugar:

O que é isto aqui?
Isso é meu.
Aquilo ali é teu? 



INVARIÁVEIS





terça-feira, 14 de novembro de 2017

Duas interpretações de Santa Morena, de Jacob do Bandolim



Música brasileira interpretada por Ricardo Araújo à guitarra portuguesa. Santa Morena foi composta por Jacob do Bandolim (1918 - 1959) nos anos 50 do passado século.

(Mas o som não me faz lembrar o som da guitarra portuguesa, não sei...)

E temos uma segunda interpretação pelo Trio Madeira Brasil.

Formação:
Ronaldo do Bandolim - bandolim
Zé Paulo Becker - violão e viola capira
Marcelo Gonçalvez - violão 7 cordas







quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O ouvido absoluto de "Os três pequenos Mozart da rua Esperança"


Um artigo de María Martín no jornal espanhol El País na sua edição brasileira (3 de novembro de 2017):

Os três pequenos Mozart da rua Esperança
Três irmãos do Rio cultivam com dificuldade um talento raro: eles têm ouvido absoluto. É a habilidade de gênios como Mozart e identifica notas musicais com extrema facilidade

Quando o tio do doce chega com sua bicicleta à rua Esperança, num bairro humilde de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, ele toca uma buzina. Os vizinhos sabem então que é a hora do pão e do bolo e, com alguns trocados, saem disparados das suas casas. Para todos eles esse som não são mais do que o mais comuns dos “mec-mec!!”. Mas há três irmãos naquela rua que ouvem muito além desse aviso estridente. Para Alex, de 18 anos, Laís, de 16, e Pedro, de 12, aquele buzinaço é uma sequência de ré. Acontece também com a buzina do Fiat Palio do pai, que sempre toca em si. Ou com as possíveis frequências de uma caneta batendo num extintor de incêndios que também conseguem identificar. Nas melodias é ainda mais fácil. Até o caçula dos Santana é capaz de perceber quando quem toca ou canta não está na altura certa.

Os três meninos têm ouvido absoluto, uma habilidade rara que, segundo estudos científicos, aparece em um a cada 10.000 indivíduos. Quem a possui identifica as notas de quase qualquer som sem uma referência externa. Para eles, nomear uma nota é quase tão fácil como identificar uma cor, sem necessidade de recorrer a uma escala musical – ­ou cromática –­ para comparar. Com treinamento, alguém com ouvido absoluto é capaz de reproduzir notas, inclusive uma melodia, mesmo sendo a primeira vez que as escutam. Bach, Beethoven e Frank Sinatra tinham ouvido absoluto. Contam que Mozart que quando criança gritou “Sol sustenido!” ao ouvir o guincho de um porco.

Mas o ouvido absoluto não é uma capacidade natural de todos os grandes músicos. Muitos pagariam por tê-la. (...)

Os irmãos descobriram relativamente tarde esse valioso tesouro – o ideal é expor as crianças a atividades musicais antes dos oito anos. Foi um professor de música de uma escola municipal, Newton Motta, quem ficou surpreso com a habilidade de Alex de identificar notas. Naquela época, quatro anos atrás, o adolescente já arranhava algumas músicas no violão, mas sem ter estudado como. Anos depois, Pedro passou pela sua sala de aula e, sem saber que eram irmãos, o docente voltou a se surpreender com a capacidade do pequeno, uma criança doce e risonha. Depois, o maestro descobriu que Laís, uma adolescente que canta como se fosse soprano, também conseguia identificar notas sem ter nenhum conhecimento de teoria musical. Eles nunca erram. “Uma pessoa com ouvido relativo, como eu, é capaz de chegar à nota depois de muito estudo, mas nunca tem certeza. Eles têm”, explica o professor de música.

(...)

O artigo completo em El País.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ondas gigantes da Nazaré desde um drone (fevereiro 2017)



As enormes ondas que se formam na povoação portuguesa da Nazaré são famosas no mundo inteiro. Estas imagens são do mês de fevereiro deste ano. Vocês gostam de surf ou praticam...?

Agora, em novembro, chegam surfistas de toda a parte para procurar essa onda...










sexta-feira, 3 de novembro de 2017

"Eu confesso! A maior barraca que já dei no ar foi..." (Nuno Markl)



O que acham desta situação vivida por Nuno Markl quando ele começou a trabalhar a solo numa emissora de rádio? A certo momento dá para rir, mas que mau bocado ele passou!

Foi na minha primeira madrugada a solo na extinta Correio da Manhã Rádio. Eu ia assegurar os noticiários da noite assim que o Rui Vargas terminasse o programa dele. O Rui terminou o programa, eu fiquei sozinho no estúdio e, de repente, tive uma branca. Esqueci-me de tudo - TUDO! - o que me tinham explicado sobre o funcionamento da mesa. Silêncio na emissão. Eu sem ponta de saliva na boca, gelado. Felizmente o Rui Vargas ouviu a branca e voltou a correr. Quando ele entra no estúdio, estou eu de microfone aberto em estado de choque. A única coisa que me saiu da boca foi um trémulo "E AGORA?". Que foi para o ar. No dia seguinte, as pessoas da Rádio Nova, do Porto, que funcionava em cadeia com o CMR, ligaram para a direcção da rádio a dizer "aquele puto novo que faz as notícias de noite não é mau de todo, mas o que foi aquilo do E AGORA?".

(Fonte: Rádio Comercial)


Nuno Markl é um humorista, escritor, locutor de rádio, apresentador de televisão e argumentista português.

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Há muita coisa para aprender aqui. Reparem:

passar um mau bocado = "pasar un mal rato"

ter uma branca "quedarse en blanco"


Notas. Ajuda da Infopédia:

armar/dar barraca coloquial fazer disparates, fazer tolices, fazer escândalo.

puto
nome masculino

1. calão garoto; miúdo; catraio.
2. calão jovem; rapaz.
3. coloquial filho.




quinta-feira, 2 de novembro de 2017